Telhados verdes: habitats para a biodiversidade urbana

Talvez um dos assuntos mais relevantes e menos divulgados por aqui sobre os telhados verdes é o seu impacto para a criação de habitats urbanos e reestruturação da biodiversidade – entretanto, os serviços ambientais que eles promovem podem ir muito além do que a tríade energia-água-atmosfera.

Diversos centros de pesquisa em todo o mundo tem documentado uma grande variedade de comunidades  de invertebrados e aves sobre os mais diferentes tipos de telhados verdes – eles são habitados por besouros, borboletas, formigas, abelhas, libélulas, aranhas, tatuzinhos, paquinhas, minhocas, caramujos, lesmas, gafanhotos, grilos, louva-deus… não apenas espécies comuns em jardins de solo, mas por incrível que pareça, há registros também de espécies raras. Existe uma correlação positiva entre a riqueza de espécies de aranhas e besouros, e a riqueza de espécies botânicas e variabilidade da topografia do telhado.

Telhado verde em Londres, projetado para atrair biodiversidade.

Esta profusão de vida acaba por atrair diversas espécies de aves (nativas e migratórias), que encontram verdadeiros oásis para nidificação, alimentação, pouso e descanso. Estes dados têm atraído a atenção de organizações conservacionistas, que passaram a promover os telhados verdes para criação de habitats para a fauna – especialmente na Suíça e no Reino Unido, que desenvolveram programas estruturados para criação de telhados verdes com a finalidade específica de atrair mais biodiversidade e proteger espécies raras de aves em extinção.

Para ilustrar um pouco da capacidade dos telhados verdes em criar verdadeiras ilhas de biodiversidade, convidamos o paisagista Leonardo Genn para contar um pouco da experiência dele em Niterói, no Rio de Janeiro, literalmente ‘trazendo à vida’ uma laje cheia de fuligem e que hoje transborda vida e se integra a bela paisagem do Rio.

Muitos de vocês podem até se perguntar: o que eu tenho a ver com isso tudo? Qual a importância de aranhas e besouros nos telhados da minha cidade? A resposta pode parecer óbvia para um ambientalista, mas ao se reestabelecer conexões ecológicas de base, o aumento da biodiversidade passa a impactar também no controle de diversas pragas urbanas. Aranhas comem insetos voadores, como por exemplo moscas e mosquitos. Lagartos se alimentam de baratas e escorpiões. Corujas e gaviões se alimentam de pequenos roedores. O impacto pode ser tão grande, que a indústria de dedetização poderia começar a ficar preocupada…

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