Telhados verdes contribuem fortemente para certificação de construções sustentáveis.

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Construir de modo sustentável parece ser uma boa aposta – e os telhados verdes são fundamentais para isso. Mesmo diante dos desafios econômicos e políticos do país, o crescimento da construção sustentável segue, e investir neste segmento não é bom somente para a imagem das empresas: financeiramente, é vantajoso – é o que aponta o estudo publicado neste ano pelo Green Building Council Brasil (GBCBrasil) comparando o desempenho de mercado dos empreendimentos comerciais certificados e não certificados no país.


O estudo comparou edifícios corporativos de alto padrão certificados LEED com aqueles não certificados no mesmo bairro, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, concluindo que as edificações certificadas possuem 7% de melhora na vacância no Rio de Janeiro e 9,5% em São Paulo. Na capital carioca, em média, o valor de locação por metro quadrado é 24% maior em edifícios com Leed: R$ 146, ante R$ 117. Em São Paulo essa diferença é de 10%. Na região da avenida Faria Lima, que concentra grandes empresas, porém, a diferença chega a 40%. A taxa de vacância em prédios certificados é 7% menor, no Rio, e 9,5% menor, em São Paulo.

Em termos de estoque neste segmento e bairros analisados, os edifícios certificados LEED já somam 27% no Rio de Janeiro e 34% em São Paulo, sendo que na região das Avenidas Berrini e Faria Lima, o montante chega a 50% das edificações corporativas de alto padrão. Já o valor do condomínio, para quem não segue as normas da certificação, aumenta 12% na capital paulista e 25% no Rio. Isso se deve à maior eficiência das edificações.


Foi pensando neste nicho que Vitor Tosetto, gerente comercial da New Fields, criou o projeto LarVerdeLar – primeiro empreendimento certificado LEED v4 no Brasil. Localizado em Governador Valadares, em Minas Gerais, o projeto tem como objetivo se tornar uma referência para certificação de empreendimentos em cidades de médio e pequeno porte.

A horta e o gramado fazem parte da área acessível do telhado verde e são a atração principal para os funcionário, que levam verduras frescas para casa. A inclusão deste espaço para agricultura urbana possibilitou um crédito extra na categoria ‘produção local de alimentos’.

Governador Valadares é conhecida pelas altas temperaturas durante todo o ano – sua topografia favorece alagamentos e inundações e passa por longos períodos de estiagem, que constantemente comprometem o abastecimento de água da população. Além das condicionantes locais, a empresa proprietária colocou ainda mais um desafio para o projeto: o terreno fica em uma área residencial, portanto era imperativo que a sua sede possa ser convertida em edificação residencial. Para tanto, seu tamanho deveria ser compatível com as edificações do entorno, bem como sua proposta visual.

Desafios vencidos, os números sobre o desempenho do edifício impressionam :

  • 100% da energia proveniente de fontes renováveis
  • 74% de economia do consumo de água
  • 88% de economia de energia
  • 100% de ventilação natural (não usa ar condicionado)
  • 94% dos resíduos de obras reutilizados e reciclados
A integração de telhados verdes e painéis fotovoltaicos aumenta a eficiência de geração de energia, além de aumentar o número de funções úteis e serviços prestados pela cobertura.

Os telhados verdes, que conta com gramado, horta e uma seção extensiva, apenas com acesso para manutenção), contribuiu significativamente para conquista de 28 pontos em 7 créditos diferentes – mais da metade dos créditos necessárias para a certificação mínima:

  • espaços abertos,
  • manejo de água da chuva,
  • redução de ilhas de calor,
  • redução de consumo de água em áreas externas,
  • performance energética,
  • conforto térmico,
  • produção local de alimentos.
Esta outra área do telhado verde não foi projetada para receber visitas, então o sistema de cultivo modular e a irrigação por gotejamento superficial foram a melhor escolha. Recém cultivado, a expectativa é que me 30 dias a vegetação cubra toda superfície da cobertura.

Se você se interessa por este tema e quer conhecer de perto os telhados verdes e outros diferenciais que ajudaram a compor o cardápio de sustentabilidade neste projeto, aproveite para agendar uma visita à obra – as inscrições para os dias 5 e 19 de maio são gratuitas e já estão abertas – confira!!!

Agora, se você ainda não conhece nada, ou muito pouco sobre certificação ambiental em edificações, compilamos um super resumo aqui pra você – espero que seja útil!! Deixa seu comentário e conta pra gente o que achou!


PRINCIPAIS SISTEMAS DE CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL PARA CONSTRUÇÃO CIVIL

Atualmente existem no Brasil 5 sistemas de certificação conectados ao mercado de construção civil – dá uma olhada no resumo que selecionamos:

1. Selo Casa Azul da Caixa Econômica Federal: a Caixa criou uma classificação socioambiental para os projetos habitacionais que financia. O Selo Casa Azul é a forma que o banco encontrou de promover o uso racional de recursos naturais nas construções e a melhoria da qualidade da habitação. A principal missão é reconhecer projetos que adotam soluções eficientes na construção, uso, ocupação e manutenção dos edifícios.

2. Certificação LEED (Leadership in Energy and Enviromental Design): de origem norte americana, este é o sistema para certificação e orientação ambiental para edificações mais utilizado no mundo atualmente. Utilizado em 143 países, tem alta aderência ao mercado de construção civil. Quem confere as certificações no país é o Green Building Council Brasil (GBCB), braço da ONG internacional criado no Brasil em março de 2007 para auxiliar no desenvolvimento da indústria da construção sustentável no país.

3. Certificação AQUA-HQE (Alta Qualidade Ambiental): O Processo AQUA-HQE é uma certificação internacional da construção sustentável desenvolvida a partir da certificação francesa Démarche HQE (Haute Qualité Environmentale) e aplicada no Brasil desde 2008 pela Fundação Vanzolini. Mantendo a base conceitual francesa, a certificação brasileira foi adaptada para a realidade de normas e práticas do país.

4. Selo Procel Edifica: O Programa Nacional de Eficiência Energética em Edificações – Procel Edifica – foi instituído em 2003 pela Eletrobras/Procel e atua de forma conjunta com o Ministérios de Minas e Energia, o Ministério das Cidades, as universidades, os centros de pesquisa e entidades das áreas governamental, tecnológica, econômica e de desenvolvimento, além do setor da construção civil. O Selo Procel Edificações, estabelecido em novembro de 2014, é um instrumento de adesão voluntária que tem por objetivo principal identificar as edificações que apresentem as melhores classificações de eficiência energética em uma dada categoria.

5. FSC Brasil: Apesar de não ser um sistema de certificação de obra propriamente dito, o selo FSC tem importância fundamental para redução dos impactos negativos da cadeia da construção civil no Brasil – responsável pelo consumo de mais de 60% de toda madeira derrubada na Amazônia. O FSC (Forest Stewardship Council) é uma organização independente, não governamental, sem fins lucrativos, criada para promover o manejo florestal responsável ao redor do mundo. O conceito da certificação FSC surgiu para incentivar a compra de materiais e produtos à base de madeira proveniente de manejo responsável das florestas. Hoje, a instituição é uma das que mais tem credibilidade quando se trata de certificar a procedência sustentável de produtos madeireiros e não madeireiros originados do bom manejo florestal.


Fontes:

GBCBrasil

IstoÉ Dinheiro

ICLEI

5 selos de sustentabilidade que agregam valor às suas obras

 

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