O verão e as cidades (repost de Raul Cânovas)

Artigo original publicado em jan 17, 2017 por .

O nosso verão austral – o verão boreal decorre no hemisfério norte – está só começando! E registra temperaturas muito altas em todo o país. Quando o calor exorbitante chega acompanhado de baixa umidade ambiente pode causar desconfortos: desidratação, problemas respiratórios e até sangramento nasal.

Ilha de calor.

O mal-estar é maior nas cidades verticalizadas onde, por causa das edificações altas e concentradas nos seus centros urbanos, surgem as chamadas “ilhas de calor”. O contraste térmico entre as áreas centrais e as regiões periféricas pode fazer com que, no mesmo horário, haja diferenças de quase 10°C. Os materiais usados na construção dos prédios (concreto, aço e vidro) absorvem e retém o calor associando-se ao asfalto que impermeabiliza o solo urbano. Bairros compostos por residências unifamiliares ou casas, como são conhecidas as moradias habitadas por uma pessoa ou família, também colaboram com o aquecimento. Pois, cobertas com telhas de barro, também armazenam calor.

E a solução qual seria?

Bem, certamente não há como remediar isto com uma única saída miraculosa. Como paisagista opino que o aumento das áreas verdes é um caminho a ser seguido. Isto é obvio, vocês devem estar pensando, mas quando me refiro a avançar com vegetação nas metrópoles não penso apenas em incrementar alamedas e melhorar praças e parques mas, também e em especial, usar as empenas cegas dos edifícios para revestí-los com jardins verticais ou, simplesmente, trepadeiras de baixa manutenção, como: heras, unha-de-gato, figueira-trepadeira-variegada, falsa-vinha, costela-de-adão e alguns filodendros.

Os telhados verdes deverão suplantar em um futuro imediato, as telhas de barro e de cimento, podendo verdejar as lajes desnudas tão comuns nas periferias.

Tudo isto proporcionaria um conforto termo-acústico fantástico, minimizando as variações de temperatura e diminuindo a poluição sonora. Manutenção? Baixíssima, se nessas lajes forem plantadas espécies rústicas, como: agaves, capins, lantanas, caliandras, bela-emilia, neve-da-montanha, iucas, dasilírios, patas-de-elefante, aspargos, onze-horas, vincas, suculentas, bálsamo, tapete-inglês e tantas outras que dispensam regas, podas, adubação e são praticamente imunes às pragas e doenças.

Não apenas os paisagistas devem tomar uma posição neste sentido, mas é preciso que arquitetos, engenheiros e os gestores dos municípios abracem esta causa para evitar que nos “cozinhemos” dentro de cidades doentes e febris.


Raul Cânovas nasceu em 1945. Argentino, paisagista, escritor, professor e palestrante. Com 50 anos de experiência no mercado de paisagismo, Cânovas é um profissional experiente e competente na arte de impactar, tocar, cativar e despertar sentimentos nos mais diversos públicos.

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