Cidades em Transição

“O que une as pessoas neste bairro, nesta cidade? A crise do petróleo ou cerveja? Então começamos uma cervejaria. Para o que estamos convidando as pessoas? Um grupo que fala sobre mudanças climáticas? Ou para uma festa histórica, que celebre o repensar sobre o local em que está sendo realizada.” É o que diz Rob Hopkins, um dos criadores do movimento Cidades em Transição.

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Agricultura urbana em Portugal faz parte das iniciativas criadas pelo movimento Cidades em Transição.

Este é o ponto central na atuação dos Transition Groups, uma rede de criada em 2005 na Inglaterra para propor soluções ao desafio das mudanças climáticas e à crise do petróleo – mas de uma maneira otimista. Um grupo de pessoas em Brixton captou 130 mil libras (aproximadamente R$600 mil) para instalar a primeira central de energia fotovoltaica comunitária urbana, com 82kW de painéis solares no topo da câmara da cidade. Outro grupo  em Derbyshire um ‘food Hub’ que torna viável o cultivo comercial em jardins e quintais – como uma alternativa acessível aos supermercados. Grupos em Totnes, Stroud, Lewes, Brixton e Bristol lançaram suas próprias moedas locais para manter o dinheiro dentro da cidade e não deixá-lo escapar para as mão dos grandes hipermercados ou em algum banco na Suíça.

Transition Town Berkhamsted região leste da Inglaterra
Transition Town Berkhamsted região leste da Inglaterra.

Segundo o Cidades em Transição Brasil, a articulação já está presente em 14 países do mundo. Já são mais de 321 Iniciativas Oficiais (em cidades, bairros e até ilhas) e 227 iniciativas em formação. No Brasil, já são 6 iniciativas no Norte/Nordeste, 38 no Sudeste e 11 no Sul/Centro Oeste. Veja aqui o mapa dos grupos conectados no Brasil.

A Transição no Brasil

O ponto chave é encontrar caminhos para unir as pessoas. É uma questão de mudar a narrativa: “Não há nenhuma cavalaria vindo para nos salvar’ – diz Hopkins – “Mas imagine o que acontece quando pessoas comuns decidem que elas são a cavalaria? Durante anos no movimento ambiental, sustentamos que estávamos certos, que tinhamos as respostas… mas muitas das respostas que precisamos ainda precisam ser encontradas em pessoas que poderíamos ver (em um momento mais crítico) como parte do ‘sistema’ – empresários, advogados, igrejas – milhares de pessoas comuns, com vidas ocupadas, contas para pagar e crianças para criar”.

De fato, todos os últimos grandes avanços tecnológicos nos últimos anos estão concentrados nos campos das tecnologia de comunicação, mas não vemos a mesma escala ou velocidade na evolução da forma como movemos nossos motores ou produzimos nossa comida.

O que o movimento de Cidades em Transição faz é dar ‘chão ao otimismo’, ao invés da usual abordagem apocalíptica. É como um grande projeto de pesquisa e desenvolvimento open-source – o código é aberto: “Diferentes grupos tentam diferentes coisas, e se as idéias funcionam, isso se espalha”.

Em Portugal, há anos em uma profunda crise econômica, você vê as pessoas esperando o momento ruim passar – mas e se isso não passar? O enfoque dado pelos Transition Groups forneceu a estrutura para dar alguma coisa para as pessoas fazerem. “Ao invés de pensar ‘meu deus, nós estamos afundando’, nós dizemos ‘Vamos fazer isso’ – pequenos passos são importantes” – diz Filipa Pimentel, membro do movimento em Portugal.

Em uma época em que caminhamos para o consenso de que o atual modelo econômico e político está falido, parece que as nossas últimas fichas terão que ser inevitavelmente apostadas na escala micro de nossos quintais.

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Fontes:

http://www.theguardian.com/environment/2013/jun/15/transition-towns-way-forward

http://transitionbrasil.ning.com

https://pt.wikiversity.org/wiki/Transition_Towns_Brasil

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