Sustentabilidade – o mercado é a solução

Achei interessante o artigo de Aerton Paiva publicado no blog ‘Reação em Cadeia’ – trata justamente sobre a urgência em se ter escala na transformação  dos nossos meios de consumo, e como algumas empresas já sacaram que o problema (ou o mercado) é a solução.

Aproveito para reproduzir abaixo um trecho do artigo, que pode ser conferido na íntegra em http://gestaoorigami.com.br/aertonpaiva/novos-negocios-em-sustentabilidade/chega-de-so-falar/

‘Cheguei hoje cedo ao escritório e, ao ler no Valor Econômico a matéria “Siemens entra em nova fase, sem perder a obsessão pela inovação”, vi materializado mais um caso de empresa que tira a sustentabilidade do papel como venho há tempos defendendo nesse blog e que pode servir como uma referência para mudar o relato acima.

A empresa criou um “quarto pilar” de negócio: Cidades e Infraestrutura. Como fundamentos para a decisão, destacam:

  • As cidades cobrem apenas 1% do planeta, mas absorvem 75% da energia consumida
  • Representam 80% dos GEE jogados na atmosfera
  • Em 2015, dois bilhões de pessoas enfrentarão problemas com água
  • Outros 3 bilhões continuarão sem acesso a facilidades sanitárias
  • Hoje existem 21 cidades com mais de 10 milhões de habitantes e até 2025 serão 29

O resultado concreto, do lado da empresa:

  • Das 58 mil patentes da companhia alemã, 18 mil podem ser encaixadas no contexto da sustentabilidade
  • Em 2012, a empresa pretende operar sua primeira fábrica de aerogeradores para turbinas eólicas no Nordeste
  • Apostam nos emergentes como megacidades, com todos os desafios que as aglomerações pressupõe
  • De 2007 para cá, a empresa vendeu todos os negócios que não estavam ligados estritamente a essas tendências
  • As soluções de sustentabilidade que estavam dispersas entre os 3 demais setores da empresa (Energia, indústria e saúde) migram para o Cidades e Infraestrutura, recebendo 81 mil dos 100 mil funcionários envolvidos com a produção sustentável
  • O quarto pilar já chega ao mercado representando 27,6% do faturamento total do grupo

Acredito muito neste caminho. Um caminho que não exclui todas as estratégias anteriores, não exclui o panfletarismo, não exclui as lideranças fortes. Ao contrário, se aproveita delas para inserir um novo componente extremamente importante: a prática, as mudanças “de fato”.

E a prática, em uma empresa, ainda continua sendo a partir dos negócios. É a partir dos negócios que uma empresa se determina. É a partir dos negócios que os produtos e soluções são ofertados ao mercado, vendidos, contabilizados, quantificados. É a partir do negócio que identificamos como a empresa envolve sua cadeia de valor, como se relaciona com clientes e funcionários, como trata a sociedade e o meio ambiente. Tudo nasce e se fecha nele: o negócio, a proposta de valor, o portfolio de produtos e soluções. O resto… é resto.

Penso ser importante repensar a estratégia de abordagem. É preciso entender que o modelo da sustentabilidade predominante no Brasil já está ultrapassado. Precisamos renovar e adotar, cada vez mais, soluções de negócio que façam sentido para a empresa e para a sociedade.

Diversas são as oportunidades, afinal diversos são os desafios. A Siemens nos traz um exemplo concreto de como uma empresa pode reler a realidade que a cerca e transformar, corajosamente e conscientemente, seu discurso em práticas efetivas.

Outras empresas no Brasil estão começando a visualizar esta oportunidade da sustentabilidade. E não são apenas no setor privado. O programa Cidades e Soluções apresentou recentemente o estudo de caso da CEDAE, empresa responsável por saneamento no Rio de Janeiro que desenvolveu um modelo inédito no mundo de como fazer do esgoto um bom negócio para todos: para ela, para as empresas que se utilizam de sua água, para o meio ambiente e para a sociedade. E a solução desenvolvida pela CEDAE partiu de algo óbvio: ela releu sua realidade, investiu em tecnologia, fez parcerias com a academia, engajou seus clientes para incentivar o uso da água de reuso e com isso atinge hoje uma escala industrial de solução que gera energia (metano), biodiesel, água de reuso e água potável. Tudo isso a partir do esgoto.

Casos como este mostram que o caminho é, realmente, outro. Você que trabalha em uma empresa da era antiga, repense sua forma de estimular os executivos para que tomem a iniciativa de relerem a realidade de seus negócios. Apresente-lhes casos como estes, que não focam o sucesso em suas lideranças ou em suas campanhas de marketing, mas em suas soluções ao mercado.’

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