A sustentável leveza dos jardins

Artigo originalmente publicado no jornal Folha de São Paulo em 10/11/2011.

Por GILBERTO DIMENSTEIN

Duas agência bancárias (uma do Bradesco e uma do Banco do Brasil) da cidade de São Paulo estão fazendo uma experiência que se traduz num novo jeito de, ao mesmo tempo, economizar dinheiro, ajudar a preservar o meio ambiente e, quem sabe, atrair clientes: cultivar jardins. Só que quase ninguém poderá ver a plantação, pois tudo será feito no telhado, longe da rua.

Desenvolvida em países como a Alemanha e a Inglaterra, a tecnologia dos telhados verdes começa a chegar ao Brasil na onda da sustentabilidade. O agrônomo Sérgio Rocha, de 33 anos, fez da sua vida o projeto de transformar os telhados das cidades em imensas áreas verdes. “É como se criássemos uma floresta urbana.”

Para concretizar esse sonho, ele trocou uma floresta verdadeira, a amazônica, pela aridez cinza da cidade de São Paulo.

Formado em agronomia, Sérgio fez mestrado em genética e mudou-se para a Amazônia, onde realizou pesquisas sobre plantas, especialmente sobre as medicinais. Passou a gerenciar e a estimular projetos, quando tomou conhecimento das tecnologias sustentáveis espalhadas pelo mundo. Foi dali que imaginou literalmente tirar seu sustento.

Viajou pela Alemanha para conhecer uma nova tecnologia. Aprendeu que, através de módulos pré-fabricados e materiais inventados para lidar com diferentes temperaturas, é possível montar a laje das construções em conjunto com a plantação.

A vantagem prometida é diminuir o risco de infiltração, comum na construção de jardins suspensos, além de baratear os custos da obra. “Vi os mais variados projetos: algumas pessoas preferiam fazer um campo de futebol, outras preferiam produzir alimentos.”

Foi então que nasceu, em São Paulo, o Instituto Cidade Jardim.

O apelo da tecnologia, segundo ele, é simples. Com o telhado verde, aumenta a retenção das águas da chuva, o que favorece o combate às enchentes. Além disso, a cobertura diminui o calor dos prédios, reduzindo a necessidade de uso do ar condicionado. Finalmente, as plantas e árvores combatem a poluição atmosférica. Por essas razões, essa tecnologia vem disseminando-se pela Europa e pelos Estados Unidos. No Brasil, por enquanto, é algo insignificante.

Até que Sérgio já conseguiu um projeto de visibilidade, ao instalar um telhado verde num prédio da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), em parceria com a Petrobras. Mas, por enquanto, tudo está na fase de plano-piloto. Em São Paulo, os telhados verdes não chegam a ocupar mil metros quadrados, o que equivale, por exemplo, a um décimo de um campo de futebol. Bem longe ainda da sonhada floresta urbana.

Enquanto a floresta não chega, Sérgio, munido das novas tecnologias, imagina-se capaz de cultivar até mesmo gigantescas mangueiras em cima dos prédios.

PS – Para mostrar essas experiências, coloquei fotos de telhados verdes no www.catracalivre.com.br.

Gilberto Dimenstein, colunista e membro do Conselho Editorial da Folha de S.Paulo e comentarista da rádio CBN, é fundador da Associação Cidade Escola Aprendiz

 

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